Relatório · atualizado em 2026-10-16

Eleitos cassados no Brasil por partido e espectro ideológico, 1989–2025

Quantos e quais políticos eleitos perderam o mandato, em quais partidos, e como isso se distribui entre esquerda e direita segundo a classificação de Bolognesi, Ribeiro e Codato. Os dados vêm do TSE, de listas jornalísticas e de duas edições do survey com cientistas políticos.

Resumo

Foram identificados 551 eleitos cassados com partido conhecido desde 1989: 479 prefeitos, 23 vice-prefeitos e vereadores, e 49 presidentes, governadores, senadores e deputados federais. Outros 148 prefeitos foram substituídos em eleições suplementares, mas o partido do titular não pôde ser identificado nos arquivos do TSE.

515casos no cálculo, em 37.805 mandatos eleitos (13,6 por mil)
111casos do MDB (PMDB), a maior contagem absoluta
14,3 × 11,2casos por mil mandatos: direita ampla × esquerda ampla
1,28razão de taxas direita/esquerda (IC 95%: 1,01 a 1,62)

A contagem de prefeitos usa a eleição suplementar como indicador de perda do mandato. Ela captura cassações, mas também indeferimento de registro e outras vacâncias, e deixa de fora casos sem partido identificável. Leia a seção Limitações antes de citar os números.

Método e fontes

O TSE não publica uma lista de mandatos perdidos, então combinei três fontes e contei apenas pessoas que foram eleitas. Candidaturas cassadas de quem não se elegeu ficam de fora.

1. Prefeitos (ciclos 2004 a 2024)

Nos arquivos de candidatos do Portal de Dados Abertos do TSE aparecem as eleições suplementares para prefeito. Cada município com suplementar teve o cargo vago; o prefeito afastado é o eleito no ciclo anterior no mesmo município, cujo partido vem do arquivo da eleição ordinária. Foram 467 prefeitos assim identificados, mais 12 com o marcador de cassação do TSE que não tiveram suplementar. Casos por ciclo: 2004, 60; 2008, 116; 2012, 111; 2016, 131; 2020, 40; 2024, 21.

Para 148 suplementares (2016: 45; 2020: 71; 2024: 29) o arquivo do TSE não registra quem venceu a eleição ordinária, porque o vencedor aparece sem o resultado "eleito". Esses casos não entram nas taxas por partido.

2. Vice-prefeitos e vereadores

Só o marcador de cassação dos arquivos do TSE (CASSADO, CASSADO COM RECURSO, CASSAÇÃO DO REGISTRO, existente para 1998, 2000, 2004, 2008, 2010, 2012, 2016 e 2024). São 23 casos e um piso. Não entram nas taxas.

3. Presidentes, governadores, senadores e deputados federais

Listas da Wikipédia, CNN Brasil, IstoÉ Dinheiro, Sedep e Congresso em Foco, reunidas em data/altos_cargos_cassados.csv (49 casos). Entram impeachments (Collor, Dilma e Witzel), que não são cassação em sentido estrito, mas são perda de mandato por julgamento político. Para as taxas valem 36 casos: ficam de fora os 2 presidentes e os 11 deputados eleitos antes de 1994, porque os arquivos do TSE usados começam em 1994.

Normalização e testes

A taxa é o número de casos dividido pelo número de mandatos eleitos no mesmo universo, por mil. Os mandatos contados vêm do resultado "eleito" nos arquivos do TSE: 33.158 prefeitos (ciclos 2004 a 2024), 4.107 deputados federais, 323 senadores e 217 governadores (eleições gerais de 1994 a 2022). A comparação entre blocos usa razão de taxas com intervalo de confiança de 95% (aproximação log-normal), teste exato de Fisher e o teste de Cochran-Mantel-Haenszel estratificado por cargo, que evita misturar cargos com taxas muito diferentes.

O partido é o da época da eleição, agrupado pelo sucessor atual: PMDB e MDB; PFL e DEM; PP, PPB e Progressistas; PL (até 2019) e PR; PT do B e Avante; PTN e Podemos; PSDC e DC; Republicanos e PRB. O PSD anterior a 2010 foi tratado como PTB, para o qual foi incorporado.

Classificação ideológica dos partidos

Uso a classificação de Bolognesi, Ribeiro e Codato (2023, Dados, v. 66, n. 2), que se baseia em um survey com cientistas políticos de 2018, numa escala de 0 (esquerda) a 10 (direita) dividida em sete categorias.

CategoriaFaixa da médiaPartidos (média)
Extrema-esquerda0 a 1,50PSTU (0,51), PCO (0,61), PCB (0,91), PSOL (1,28)
Esquerda1,51 a 3,00PCdoB (1,92), PT (2,97)
Centro-esquerda3,01 a 4,49PDT (3,92), PSB (4,05)
Centro4,50 a 5,50Rede (4,77), PPS (4,92), PV (5,29)
Centro-direita5,51 a 7,00PTB (6,10), Avante (6,32), SDD (6,50), PMN (6,88), PMB (6,90), PHS (6,96)
Direita7,01 a 8,50MDB (7,01), PSD (7,09), PSDB (7,11), Podemos (7,24), PPL (7,27), PRD† (7,33), PRTB (7,45), Pros (7,47), PRP (7,59), PRB (7,78), PR (7,78), PTC (7,86), DC (8,11), PSL (8,11), Novo (8,13), Progressistas (8,20), PSC (8,33)
Extrema-direita8,51 a 10Patriota (8,55), DEM (8,57), União Brasil* (8,75)

*União Brasil (fusão de DEM e PSL, 2022) não está no artigo de 2023. A edição seguinte do survey, Bolognesi, Ribeiro, Codato e Silva (2025, Opinião Pública, v. 31, e31120), trata a fusão como a média das siglas na rodada anterior (8,34 em 2018, que é a média simples de DEM e PSL) e registra 8,49 em 2022 e 8,75 pela média ponderada, que o artigo usa para a categoria "extrema-direita". Adotei a nota ponderada. Se o União Brasil fosse classificado como "direita" (8,34 ou 8,49), o bloco "direita ampla" ficaria igual e nenhum resultado agregado mudaria.

†PRD (fusão de PTB e Patriota, 2023) também não consta nos dois artigos. Atribuí a ele a média simples das notas dos partidos que o formaram, o mesmo critério que Bolognesi et al. (2025) aplicam às fusões: 7,33 pela escala de 2023, categoria "direita", e 8,41 pela rodada de 2022, categoria "direita". Siglas extintas ou renomeadas herdam a nota do partido atual da lista acima, e todos os partidos que aparecem neste relatório têm categoria.

Resultados por partido

O MDB tem 111 casos, o maior número entre os partidos, mas a taxa dele (16,7 por mil) fica perto da média (13,6); a maior taxa entre os grandes partidos é a do PTB (19,5). Ordene a tabela clicando nos títulos. Linhas em cinza têm menos de 5 casos, e a taxa delas varia muito com um caso a mais ou a menos.

Casos absolutos, dez maiores partidos
  • MDB (PMDB)111
  • PSDB68
  • Progressistas (PP, PPB)51
  • DEM (PFL)41
  • PR (PL)37
  • PTB35
  • PT33
  • PSD32
  • PDT25
  • PSB23
Casos por mil mandatos eleitos, partidos com mais de mil mandatos
  • PTB19,535 casos
  • MDB (PMDB)16,7111 casos
  • PSDB15,268 casos
  • PR (PL)14,737 casos
  • DEM (PFL)14,741 casos
  • Progressistas (PP, PPB)12,951 casos
  • PDT12,625 casos
  • PSD11,832 casos
  • PT11,333 casos
  • PSB10,823 casos
PartidoCategoriaNotaCasosPrefeitosDep. federaisSenadoresGovernadoresMandatos eleitosCasos por mil
MDB (PMDB)Direita7,011111025136.65116,7
PSDBDireita7,1168670014.47515,2
Progressistas (PP, PPB)Direita8,2051492003.94012,9
DEM (PFL)Extrema-direita8,5741363112.79114,7
PR (PL)Direita7,7837334002.51014,7
PTBCentro-direita6,1035341001.79819,5
PTEsquerda2,9733292112.92111,3
PSDDireita7,0932311002.70511,8
PDTCentro-esquerda3,9225240011.98412,6
PSBCentro-esquerda4,0523230002.13110,8
PRB (Republicanos)Direita7,78141310098914,2
PPS (Cidadania)Centro4,92121200094012,8
PVCentro5,295500044311,3
PSLDireita8,114301024616,3
Avante (PT do B)Centro-direita6,323300030010,0
Podemos (PTN)Direita7,24321003249,3
ProsDireita7,473110111526,1
SDD (Solidariedade)Centro-direita6,503210025311,9
PCdoBEsquerda1,92220003375,9
PRPDireita7,592200010618,9
PSCDireita8,33210014284,7
PatriotaExtrema-direita8,55220007427,0
PHSCentro-direita6,96110001119,0
PMN (Mobiliza)Centro-direita6,88110001975,1
PRTBDireita7,45110005916,9
União BrasilExtrema-direita8,75101006541,5

Casos: prefeitos (suplementar ou marcador do TSE), deputados federais, senadores e governadores. Presidentes, vice-prefeitos e vereadores não entram nesta tabela.

Resultados por espectro ideológico

A direita ampla tem 415 casos em 28.982 mandatos (14,3 por mil), contra 83 em 7.417 (11,2 por mil) da esquerda ampla: razão de taxas 1,28 (IC 95%: 1,01 a 1,62; Fisher p = 0,038). O centro tem 17 casos em 1.406 mandatos (12,1 por mil).

Casos por mil mandatos eleitos, por categoria
  • Esquerda10,735 casos
  • Centro-esquerda11,748 casos
  • Centro12,117 casos
  • Centro-direita16,143 casos
  • Direita14,4328 casos
  • Extrema-direita12,544 casos
CategoriaCasosMandatos eleitosCasos por mil
Extrema-esquerda0440,0
Esquerda353.25810,7
Centro-esquerda484.11511,7
Centro171.40612,1
Centro-direita432.66616,1
Direita32822.79714,4
Extrema-direita443.51912,5

Por cargo

Prefeitos concentram quase todos os casos e têm taxas de 12,6 (esquerda ampla) e 14,9 (direita ampla) por mil, sem diferença significativa (p = 0,17). Entre deputados federais a taxa é 1,9 contra 7,2 (p = 0,06), com apenas 2 casos de esquerda. Entre senadores é 13,2 contra 12,7, e entre governadores 29,4 contra 48,3 (p = 0,72).

CargoEsquerda ampla: casos / mandatosPor milDireita ampla: casos / mandatosPor milp (Fisher)
Prefeitos78 / 6.20012,6384 / 25.69814,90,17
Deputados federais2 / 1.0731,921 / 2.9037,20,06
Senadores1 / 7613,23 / 23612,71,00
Governadores2 / 6829,47 / 14548,30,72

Leitura: há uma tendência de taxa mais alta na direita ampla, mas ela é pequena (cerca de 28% a mais), não se sustenta em nenhum cargo isolado e depende de como se define a perda de mandato de prefeito. Não há base para dizer que um campo é "mais cassado" que o outro.

Robustez

O resultado agregado muda pouco com a classificação alternativa e com o tratamento do União Brasil, mas perde precisão se os prefeitos forem contados só pelo marcador do TSE. A classificação de 2022 (média ponderada de Bolognesi et al., 2025) elimina o centro, porque nenhum partido fica entre 4,5 e 5,5 nela.

CenárioEsquerda ampla (por mil)Direita ampla (por mil)Razão de taxas (IC 95%)p (Fisher)OR Mantel-Haenszelp (CMH)
Bolognesi et al. (2023); União Brasil pela edição de 202511,214,31,28 (1,01 a 1,62)0,0381,260,065
Bolognesi et al. (2025), média ponderada de 202211,114,31,28 (1,02 a 1,61)0,0331,260,057
União Brasil pela média simples de DEM e PSL (8,34)11,214,31,28 (1,01 a 1,62)0,0381,260,065
Prefeitos só pelo marcador do TSE (sem eleições suplementares)0,81,41,79 (0,76 a 4,21)0,2112,490,050

Razão de taxas: direita ampla sobre esquerda ampla. OR MH: razão de chances de Mantel-Haenszel estratificada por cargo; p (CMH): teste de Cochran-Mantel-Haenszel.

A linha do cenário sem eleições suplementares usa apenas o marcador do TSE para prefeitos e tem muito menos casos, o que alarga o intervalo de confiança.

Lista nominal: presidentes, governadores, senadores e deputados federais

São 49 casos, em ordem cronológica. Plenário e Mesa referem-se à Câmara ou ao Senado. Dados completos em data/altos_cargos_classificados.csv.

AnoNomeCargo/UFPartidoCategoriaInstância e motivo
1989Felipe CheiddeDeputado federal/SPPMDBDireitaMesa da Câmara: Excesso de faltas
1989Mário BouchardetDeputado federal/MGPMDBDireitaMesa da Câmara: Excesso de faltas
1991Jabes RabeloDeputado federal/ROPTBCentro-direitaPlenário da Câmara: Endosso a documento falsificado
1992Fernando CollorPresidente/BRPRNDireitaImpeachment: Crime de responsabilidade (renunciou antes do julgamento
1993Itsuo TakayamaDeputado federal/MTPFLExtrema-direitaPlenário da Câmara: Compra de filiação partidária
1993Nobel MouraDeputado federal/ROPTBCentro-direitaPlenário da Câmara: Compra de filiação partidária
1993Onaireves MouraDeputado federal/PRPTBCentro-direitaPlenário da Câmara: Compra de filiação partidária
1994Feres NaderDeputado federal/RJPTBCentro-direitaPlenário da Câmara: CPI do Orçamento
1994Carlos BenevidesDeputado federal/CEPMDBDireitaPlenário da Câmara: CPI do Orçamento
1994Fábio RaunheittiDeputado federal/RJPTBCentro-direitaPlenário da Câmara: CPI do Orçamento
1994Raquel CândidoDeputado federal/ROPTBCentro-direitaPlenário da Câmara: CPI do Orçamento
1994Ibsen PinheiroDeputado federal/RSPMDBDireitaPlenário da Câmara: CPI do Orçamento
1998Sérgio NayaDeputado federal/MGPMDBDireitaPlenário da Câmara: Tragédia do Palace II
1999Talvane AlbuquerqueDeputado federal/ALPFLExtrema-direitaPlenário da Câmara: Quebra de decoro (morte de Ceci Cunha)
1999Hildebrando PascoalDeputado federal/ACPFLExtrema-direitaPlenário da Câmara: Suspeita de envolvimento com o crime organizado
2000Luiz EstevãoSenador/DFPMDBDireitaPlenário do Senado: Desvio de verba do Fórum Trabalhista de São Paulo
2001Mão SantaGovernador/PIPMDBDireitaTSE: Abuso de poder
2004Flamarion PortelaGovernador/RRPTEsquerdaTSE: Abuso de poder político e econômico
2004Rogério SilvaDeputado federal/MTPMDBDireitaPlenário da Câmara: Compra de votos (condenação da Justiça Eleitoral)
2005André LuísDeputado federal/RJPMDBDireitaPlenário da Câmara: Extorsão contra Carlinhos Cachoeira
2005Paulo MarinhoDeputado federal/MAPFLExtrema-direitaPlenário da Câmara: Venda irregular de ações da Companhia Energética do Maranhão
2005Roberto JeffersonDeputado federal/RJPTBCentro-direitaPlenário da Câmara: Mensalão
2005José DirceuDeputado federal/SPPTEsquerdaPlenário da Câmara: Mensalão
2005Ronivon SantiagoDeputado federal/ACPPBDireitaMesa da Câmara: Crime eleitoral
2006Pedro CorrêaDeputado federal/PEPPBDireitaPlenário da Câmara: Mensalão
2009Cássio Cunha LimaGovernador/PBPSDBDireitaTSE: Abuso de poder
2009Jackson LagoGovernador/MAPDTCentro-esquerdaTSE: Abuso de poder político e econômico
2009Marcelo MirandaGovernador/TOPMDBDireitaTSE: Abuso de poder político
2010José Roberto ArrudaGovernador/DFDEMExtrema-direitaTRE-DF: Desfiliação partidária
2012Demóstenes TorresSenador/GODEMExtrema-direitaPlenário do Senado: Quebra de decoro (56 a 19)
2014Natan DonadonDeputado federal/ROPMDBDireitaPlenário da Câmara: Quebra de decoro
2014André VargasDeputado federal/PRPTEsquerdaPlenário da Câmara: Quebra de decoro
2016Delcídio do AmaralSenador/MSPTEsquerdaPlenário do Senado: Obstrução de justiça (74 a 0)
2016Eduardo CunhaDeputado federal/RJPMDBDireitaPlenário da Câmara: Quebra de decoro
2016Dilma RousseffPresidente/BRPTEsquerdaImpeachment: Crime de responsabilidade (sem inabilitação)
2017José MeloGovernador/AMPROSDireitaTSE: Abuso de poder econômico e compra de votos
2018Marcelo MirandaGovernador/TOMDBDireitaTSE: Abuso de poder político (segunda cassação)
2019Selma ArrudaSenador/MTPSLDireitaTSE: Abuso de poder econômico (perda declarada em 2020)
2020Manuel MarcosDeputado federal/ACREPUBLICANOSDireitaTSE: Abuso de poder econômico e desvio do fundo eleitoral
2021FlordelisDeputado federal/RJPSDDireitaPlenário da Câmara: Quebra de decoro
2021Boca AbertaDeputado federal/PRPROSDireitaTSE: Cassação pelo plenário do TSE
2021Wilson WitzelGovernador/RJPSCDireitaImpeachment: Crime de responsabilidade
2022Valdevan NoventaDeputado federal/SEPLDireitaTSE: Doações ilícitas na eleição de 2018
2023Deltan DallagnolDeputado federal/PRPODEDireitaTSE: Registro indeferido (Ficha Limpa), perda declarada pela Mesa
2023Marcelo LimaDeputado federal/SPSOLIDARIEDADECentro-direitaTSE: Infidelidade partidária
2025Chiquinho BrazãoDeputado federal/RJUNIÃOExtrema-direitaMesa da Câmara: Excesso de faltas
2025Carla ZambelliDeputado federal/SPPLDireitaSTF: Condenação do STF
2025Eduardo BolsonaroDeputado federal/SPPLDireitaMesa da Câmara: Excesso de faltas
2025Alexandre RamagemDeputado federal/RJPLDireitaSTF: Condenação do STF (tentativa de golpe de Estado)

Eleitos municipais e prefeitos

Os 40 eleitos municipais com marcador de cassação do TSE (prefeitos, vice-prefeitos e vereadores) estão em data/eleitos_municipais_marcador_tse.csv, e os prefeitos substituídos por eleição suplementar em data/prefeitos_eleicao_suplementar.csv. Os resultados por partido estão em data/resultados_por_partido.csv.

Limitações e ressalvas

  1. Cobertura do TSE. O marcador de cassação existe só em 8 das 16 eleições desde 1994. Para prefeitos, supri a lacuna com as eleições suplementares, que existem para todos os ciclos de 2004 a 2024. Como validação de ordem de grandeza, o levantamento do O Globo, citado pelo MeioNews, contou ao menos 96 prefeitos eleitos em 2020 que perderam o mandato, e o do G1 (reproduzido por um blog), de fevereiro de 2016, contou 142 prefeitos retirados do cargo desde a eleição de 2012, além de 99 cassados que seguiam no cargo por liminar. O indicador deste relatório dá 111 casos no ciclo de 2012 e 40 mais 71 sem partido no de 2020, a mesma ordem de grandeza. Persistem lacunas: o ciclo de 2000 tem só 8 suplementares nos arquivos e ficou de fora, o de 2024 está em curso, e vice-prefeitos e vereadores seguem só com o marcador do TSE.
  2. Eleição suplementar não é sinônimo de cassação. Ela também decorre de indeferimento de registro do eleito, morte e renúncia. Por isso o indicador de prefeitos é uma aproximação por cima.
  3. Partido ausente em parte dos casos. 148 suplementares não têm o titular localizado; se esses casos se distribuírem de modo diferente entre os campos, as taxas por campo mudam.
  4. Listas não oficiais. Os 49 casos de alto nível vêm de fontes jornalísticas e colaborativas, que não foram checadas contra as decisões originais. Não confirmei casos como o do senador João Capiberibe (2004). O partido de Flamarion Portela (PT) vem de uma única fonte, e o de Collor (PRN) é de conhecimento geral, sem fonte aberta nesta consulta.
  5. Classificação e tempo. A escala de Bolognesi et al. (2023) vem de um survey de 2018 e avalia partidos, não políticos; PSDB, MDB e outros mudaram de posição desde 1989, e políticos trocam de partido. Para testar isso, repeti a análise com a rodada de 2022 de Bolognesi et al. (2025), que dá resultado semelhante (razão de taxas 1,28; Fisher p = 0,033; CMH p = 0,06). Não há, nesta análise, classificação específica para cada legislatura.
  6. Conceito misto. Somam-se cassação pelo TSE e por TRE, decisão de plenário por quebra de decoro, perda declarada pela Mesa (faltas, condenação) e impeachment.
  7. Estatística. Os testes tratam cada mandato como independente e não corrigem comparações múltiplas. Taxas de partidos com poucos casos são instáveis.

Fontes e reprodução

Para refazer a análise: python scripts/01_baixar_tse.py cache, python scripts/02_analise.py cache e python scripts/03_gerar_site.py (somente biblioteca padrão do Python 3.10 ou superior). O código e a lista de casos estão no repositório; ver o README.md.