Resumo
Foram identificados 551 eleitos cassados com partido conhecido desde 1989: 479 prefeitos, 23 vice-prefeitos e vereadores, e 49 presidentes, governadores, senadores e deputados federais. Outros 148 prefeitos foram substituídos em eleições suplementares, mas o partido do titular não pôde ser identificado nos arquivos do TSE.
- Em números absolutos o MDB lidera, seguido por PSDB (68), Progressistas, DEM, PR e PTB. Isso acompanha o tamanho histórico dos partidos.
- Normalizando por mandatos eleitos, a direita ampla (centro-direita, direita e extrema-direita) tem 14,3 casos por mil mandatos, o centro 12,1 e a esquerda ampla (extrema-esquerda, esquerda e centro-esquerda) 11,2.
- A diferença é pequena e no limite da significância: teste exato de Fisher p = 0,038; ao controlar pelo cargo (Cochran-Mantel-Haenszel), razão de chances de 1,26 e p = 0,06. Em nenhum cargo isolado a diferença é significativa.
- Entre os partidos com mais de mil mandatos, a maior taxa é a do PTB (19,5 por mil) e a menor a do PSB (10,8 por mil).
A contagem de prefeitos usa a eleição suplementar como indicador de perda do mandato. Ela captura cassações, mas também indeferimento de registro e outras vacâncias, e deixa de fora casos sem partido identificável. Leia a seção Limitações antes de citar os números.
Método e fontes
O TSE não publica uma lista de mandatos perdidos, então combinei três fontes e contei apenas pessoas que foram eleitas. Candidaturas cassadas de quem não se elegeu ficam de fora.
1. Prefeitos (ciclos 2004 a 2024)
Nos arquivos de candidatos do Portal de Dados Abertos do TSE aparecem as eleições suplementares para prefeito. Cada município com suplementar teve o cargo vago; o prefeito afastado é o eleito no ciclo anterior no mesmo município, cujo partido vem do arquivo da eleição ordinária. Foram 467 prefeitos assim identificados, mais 12 com o marcador de cassação do TSE que não tiveram suplementar. Casos por ciclo: 2004, 60; 2008, 116; 2012, 111; 2016, 131; 2020, 40; 2024, 21.
Para 148 suplementares (2016: 45; 2020: 71; 2024: 29) o arquivo do TSE não registra quem venceu a eleição ordinária, porque o vencedor aparece sem o resultado "eleito". Esses casos não entram nas taxas por partido.
2. Vice-prefeitos e vereadores
Só o marcador de cassação dos arquivos do TSE (CASSADO, CASSADO COM RECURSO, CASSAÇÃO DO REGISTRO, existente para 1998, 2000, 2004, 2008, 2010, 2012, 2016 e 2024). São 23 casos e um piso. Não entram nas taxas.
3. Presidentes, governadores, senadores e deputados federais
Listas da Wikipédia, CNN Brasil, IstoÉ Dinheiro, Sedep e Congresso em Foco, reunidas em data/altos_cargos_cassados.csv (49 casos). Entram impeachments (Collor, Dilma e Witzel), que não são cassação em sentido estrito, mas são perda de mandato por julgamento político. Para as taxas valem 36 casos: ficam de fora os 2 presidentes e os 11 deputados eleitos antes de 1994, porque os arquivos do TSE usados começam em 1994.
Normalização e testes
A taxa é o número de casos dividido pelo número de mandatos eleitos no mesmo universo, por mil. Os mandatos contados vêm do resultado "eleito" nos arquivos do TSE: 33.158 prefeitos (ciclos 2004 a 2024), 4.107 deputados federais, 323 senadores e 217 governadores (eleições gerais de 1994 a 2022). A comparação entre blocos usa razão de taxas com intervalo de confiança de 95% (aproximação log-normal), teste exato de Fisher e o teste de Cochran-Mantel-Haenszel estratificado por cargo, que evita misturar cargos com taxas muito diferentes.
O partido é o da época da eleição, agrupado pelo sucessor atual: PMDB e MDB; PFL e DEM; PP, PPB e Progressistas; PL (até 2019) e PR; PT do B e Avante; PTN e Podemos; PSDC e DC; Republicanos e PRB. O PSD anterior a 2010 foi tratado como PTB, para o qual foi incorporado.
Classificação ideológica dos partidos
Uso a classificação de Bolognesi, Ribeiro e Codato (2023, Dados, v. 66, n. 2), que se baseia em um survey com cientistas políticos de 2018, numa escala de 0 (esquerda) a 10 (direita) dividida em sete categorias.
| Categoria | Faixa da média | Partidos (média) |
|---|---|---|
| Extrema-esquerda | 0 a 1,50 | PSTU (0,51), PCO (0,61), PCB (0,91), PSOL (1,28) |
| Esquerda | 1,51 a 3,00 | PCdoB (1,92), PT (2,97) |
| Centro-esquerda | 3,01 a 4,49 | PDT (3,92), PSB (4,05) |
| Centro | 4,50 a 5,50 | Rede (4,77), PPS (4,92), PV (5,29) |
| Centro-direita | 5,51 a 7,00 | PTB (6,10), Avante (6,32), SDD (6,50), PMN (6,88), PMB (6,90), PHS (6,96) |
| Direita | 7,01 a 8,50 | MDB (7,01), PSD (7,09), PSDB (7,11), Podemos (7,24), PPL (7,27), PRD† (7,33), PRTB (7,45), Pros (7,47), PRP (7,59), PRB (7,78), PR (7,78), PTC (7,86), DC (8,11), PSL (8,11), Novo (8,13), Progressistas (8,20), PSC (8,33) |
| Extrema-direita | 8,51 a 10 | Patriota (8,55), DEM (8,57), União Brasil* (8,75) |
*União Brasil (fusão de DEM e PSL, 2022) não está no artigo de 2023. A edição seguinte do survey, Bolognesi, Ribeiro, Codato e Silva (2025, Opinião Pública, v. 31, e31120), trata a fusão como a média das siglas na rodada anterior (8,34 em 2018, que é a média simples de DEM e PSL) e registra 8,49 em 2022 e 8,75 pela média ponderada, que o artigo usa para a categoria "extrema-direita". Adotei a nota ponderada. Se o União Brasil fosse classificado como "direita" (8,34 ou 8,49), o bloco "direita ampla" ficaria igual e nenhum resultado agregado mudaria.
†PRD (fusão de PTB e Patriota, 2023) também não consta nos dois artigos. Atribuí a ele a média simples das notas dos partidos que o formaram, o mesmo critério que Bolognesi et al. (2025) aplicam às fusões: 7,33 pela escala de 2023, categoria "direita", e 8,41 pela rodada de 2022, categoria "direita". Siglas extintas ou renomeadas herdam a nota do partido atual da lista acima, e todos os partidos que aparecem neste relatório têm categoria.
Resultados por partido
O MDB tem 111 casos, o maior número entre os partidos, mas a taxa dele (16,7 por mil) fica perto da média (13,6); a maior taxa entre os grandes partidos é a do PTB (19,5). Ordene a tabela clicando nos títulos. Linhas em cinza têm menos de 5 casos, e a taxa delas varia muito com um caso a mais ou a menos.
| Partido | Categoria | Nota | Casos | Prefeitos | Dep. federais | Senadores | Governadores | Mandatos eleitos | Casos por mil |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| MDB (PMDB) | Direita | 7,01 | 111 | 102 | 5 | 1 | 3 | 6.651 | 16,7 |
| PSDB | Direita | 7,11 | 68 | 67 | 0 | 0 | 1 | 4.475 | 15,2 |
| Progressistas (PP, PPB) | Direita | 8,20 | 51 | 49 | 2 | 0 | 0 | 3.940 | 12,9 |
| DEM (PFL) | Extrema-direita | 8,57 | 41 | 36 | 3 | 1 | 1 | 2.791 | 14,7 |
| PR (PL) | Direita | 7,78 | 37 | 33 | 4 | 0 | 0 | 2.510 | 14,7 |
| PTB | Centro-direita | 6,10 | 35 | 34 | 1 | 0 | 0 | 1.798 | 19,5 |
| PT | Esquerda | 2,97 | 33 | 29 | 2 | 1 | 1 | 2.921 | 11,3 |
| PSD | Direita | 7,09 | 32 | 31 | 1 | 0 | 0 | 2.705 | 11,8 |
| PDT | Centro-esquerda | 3,92 | 25 | 24 | 0 | 0 | 1 | 1.984 | 12,6 |
| PSB | Centro-esquerda | 4,05 | 23 | 23 | 0 | 0 | 0 | 2.131 | 10,8 |
| PRB (Republicanos) | Direita | 7,78 | 14 | 13 | 1 | 0 | 0 | 989 | 14,2 |
| PPS (Cidadania) | Centro | 4,92 | 12 | 12 | 0 | 0 | 0 | 940 | 12,8 |
| PV | Centro | 5,29 | 5 | 5 | 0 | 0 | 0 | 443 | 11,3 |
| PSL | Direita | 8,11 | 4 | 3 | 0 | 1 | 0 | 246 | 16,3 |
| Avante (PT do B) | Centro-direita | 6,32 | 3 | 3 | 0 | 0 | 0 | 300 | 10,0 |
| Podemos (PTN) | Direita | 7,24 | 3 | 2 | 1 | 0 | 0 | 324 | 9,3 |
| Pros | Direita | 7,47 | 3 | 1 | 1 | 0 | 1 | 115 | 26,1 |
| SDD (Solidariedade) | Centro-direita | 6,50 | 3 | 2 | 1 | 0 | 0 | 253 | 11,9 |
| PCdoB | Esquerda | 1,92 | 2 | 2 | 0 | 0 | 0 | 337 | 5,9 |
| PRP | Direita | 7,59 | 2 | 2 | 0 | 0 | 0 | 106 | 18,9 |
| PSC | Direita | 8,33 | 2 | 1 | 0 | 0 | 1 | 428 | 4,7 |
| Patriota | Extrema-direita | 8,55 | 2 | 2 | 0 | 0 | 0 | 74 | 27,0 |
| PHS | Centro-direita | 6,96 | 1 | 1 | 0 | 0 | 0 | 111 | 9,0 |
| PMN (Mobiliza) | Centro-direita | 6,88 | 1 | 1 | 0 | 0 | 0 | 197 | 5,1 |
| PRTB | Direita | 7,45 | 1 | 1 | 0 | 0 | 0 | 59 | 16,9 |
| União Brasil | Extrema-direita | 8,75 | 1 | 0 | 1 | 0 | 0 | 654 | 1,5 |
Resultados por espectro ideológico
A direita ampla tem 415 casos em 28.982 mandatos (14,3 por mil), contra 83 em 7.417 (11,2 por mil) da esquerda ampla: razão de taxas 1,28 (IC 95%: 1,01 a 1,62; Fisher p = 0,038). O centro tem 17 casos em 1.406 mandatos (12,1 por mil).
| Categoria | Casos | Mandatos eleitos | Casos por mil |
|---|---|---|---|
| Extrema-esquerda | 0 | 44 | 0,0 |
| Esquerda | 35 | 3.258 | 10,7 |
| Centro-esquerda | 48 | 4.115 | 11,7 |
| Centro | 17 | 1.406 | 12,1 |
| Centro-direita | 43 | 2.666 | 16,1 |
| Direita | 328 | 22.797 | 14,4 |
| Extrema-direita | 44 | 3.519 | 12,5 |
Por cargo
Prefeitos concentram quase todos os casos e têm taxas de 12,6 (esquerda ampla) e 14,9 (direita ampla) por mil, sem diferença significativa (p = 0,17). Entre deputados federais a taxa é 1,9 contra 7,2 (p = 0,06), com apenas 2 casos de esquerda. Entre senadores é 13,2 contra 12,7, e entre governadores 29,4 contra 48,3 (p = 0,72).
| Cargo | Esquerda ampla: casos / mandatos | Por mil | Direita ampla: casos / mandatos | Por mil | p (Fisher) |
|---|---|---|---|---|---|
| Prefeitos | 78 / 6.200 | 12,6 | 384 / 25.698 | 14,9 | 0,17 |
| Deputados federais | 2 / 1.073 | 1,9 | 21 / 2.903 | 7,2 | 0,06 |
| Senadores | 1 / 76 | 13,2 | 3 / 236 | 12,7 | 1,00 |
| Governadores | 2 / 68 | 29,4 | 7 / 145 | 48,3 | 0,72 |
Leitura: há uma tendência de taxa mais alta na direita ampla, mas ela é pequena (cerca de 28% a mais), não se sustenta em nenhum cargo isolado e depende de como se define a perda de mandato de prefeito. Não há base para dizer que um campo é "mais cassado" que o outro.
Robustez
O resultado agregado muda pouco com a classificação alternativa e com o tratamento do União Brasil, mas perde precisão se os prefeitos forem contados só pelo marcador do TSE. A classificação de 2022 (média ponderada de Bolognesi et al., 2025) elimina o centro, porque nenhum partido fica entre 4,5 e 5,5 nela.
| Cenário | Esquerda ampla (por mil) | Direita ampla (por mil) | Razão de taxas (IC 95%) | p (Fisher) | OR Mantel-Haenszel | p (CMH) |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Bolognesi et al. (2023); União Brasil pela edição de 2025 | 11,2 | 14,3 | 1,28 (1,01 a 1,62) | 0,038 | 1,26 | 0,065 |
| Bolognesi et al. (2025), média ponderada de 2022 | 11,1 | 14,3 | 1,28 (1,02 a 1,61) | 0,033 | 1,26 | 0,057 |
| União Brasil pela média simples de DEM e PSL (8,34) | 11,2 | 14,3 | 1,28 (1,01 a 1,62) | 0,038 | 1,26 | 0,065 |
| Prefeitos só pelo marcador do TSE (sem eleições suplementares) | 0,8 | 1,4 | 1,79 (0,76 a 4,21) | 0,211 | 2,49 | 0,050 |
A linha do cenário sem eleições suplementares usa apenas o marcador do TSE para prefeitos e tem muito menos casos, o que alarga o intervalo de confiança.
Lista nominal: presidentes, governadores, senadores e deputados federais
São 49 casos, em ordem cronológica. Plenário e Mesa referem-se à Câmara ou ao Senado. Dados completos em data/altos_cargos_classificados.csv.
| Ano | Nome | Cargo/UF | Partido | Categoria | Instância e motivo |
|---|---|---|---|---|---|
| 1989 | Felipe Cheidde | Deputado federal/SP | PMDB | Direita | Mesa da Câmara: Excesso de faltas |
| 1989 | Mário Bouchardet | Deputado federal/MG | PMDB | Direita | Mesa da Câmara: Excesso de faltas |
| 1991 | Jabes Rabelo | Deputado federal/RO | PTB | Centro-direita | Plenário da Câmara: Endosso a documento falsificado |
| 1992 | Fernando Collor | Presidente/BR | PRN | Direita | Impeachment: Crime de responsabilidade (renunciou antes do julgamento |
| 1993 | Itsuo Takayama | Deputado federal/MT | PFL | Extrema-direita | Plenário da Câmara: Compra de filiação partidária |
| 1993 | Nobel Moura | Deputado federal/RO | PTB | Centro-direita | Plenário da Câmara: Compra de filiação partidária |
| 1993 | Onaireves Moura | Deputado federal/PR | PTB | Centro-direita | Plenário da Câmara: Compra de filiação partidária |
| 1994 | Feres Nader | Deputado federal/RJ | PTB | Centro-direita | Plenário da Câmara: CPI do Orçamento |
| 1994 | Carlos Benevides | Deputado federal/CE | PMDB | Direita | Plenário da Câmara: CPI do Orçamento |
| 1994 | Fábio Raunheitti | Deputado federal/RJ | PTB | Centro-direita | Plenário da Câmara: CPI do Orçamento |
| 1994 | Raquel Cândido | Deputado federal/RO | PTB | Centro-direita | Plenário da Câmara: CPI do Orçamento |
| 1994 | Ibsen Pinheiro | Deputado federal/RS | PMDB | Direita | Plenário da Câmara: CPI do Orçamento |
| 1998 | Sérgio Naya | Deputado federal/MG | PMDB | Direita | Plenário da Câmara: Tragédia do Palace II |
| 1999 | Talvane Albuquerque | Deputado federal/AL | PFL | Extrema-direita | Plenário da Câmara: Quebra de decoro (morte de Ceci Cunha) |
| 1999 | Hildebrando Pascoal | Deputado federal/AC | PFL | Extrema-direita | Plenário da Câmara: Suspeita de envolvimento com o crime organizado |
| 2000 | Luiz Estevão | Senador/DF | PMDB | Direita | Plenário do Senado: Desvio de verba do Fórum Trabalhista de São Paulo |
| 2001 | Mão Santa | Governador/PI | PMDB | Direita | TSE: Abuso de poder |
| 2004 | Flamarion Portela | Governador/RR | PT | Esquerda | TSE: Abuso de poder político e econômico |
| 2004 | Rogério Silva | Deputado federal/MT | PMDB | Direita | Plenário da Câmara: Compra de votos (condenação da Justiça Eleitoral) |
| 2005 | André Luís | Deputado federal/RJ | PMDB | Direita | Plenário da Câmara: Extorsão contra Carlinhos Cachoeira |
| 2005 | Paulo Marinho | Deputado federal/MA | PFL | Extrema-direita | Plenário da Câmara: Venda irregular de ações da Companhia Energética do Maranhão |
| 2005 | Roberto Jefferson | Deputado federal/RJ | PTB | Centro-direita | Plenário da Câmara: Mensalão |
| 2005 | José Dirceu | Deputado federal/SP | PT | Esquerda | Plenário da Câmara: Mensalão |
| 2005 | Ronivon Santiago | Deputado federal/AC | PPB | Direita | Mesa da Câmara: Crime eleitoral |
| 2006 | Pedro Corrêa | Deputado federal/PE | PPB | Direita | Plenário da Câmara: Mensalão |
| 2009 | Cássio Cunha Lima | Governador/PB | PSDB | Direita | TSE: Abuso de poder |
| 2009 | Jackson Lago | Governador/MA | PDT | Centro-esquerda | TSE: Abuso de poder político e econômico |
| 2009 | Marcelo Miranda | Governador/TO | PMDB | Direita | TSE: Abuso de poder político |
| 2010 | José Roberto Arruda | Governador/DF | DEM | Extrema-direita | TRE-DF: Desfiliação partidária |
| 2012 | Demóstenes Torres | Senador/GO | DEM | Extrema-direita | Plenário do Senado: Quebra de decoro (56 a 19) |
| 2014 | Natan Donadon | Deputado federal/RO | PMDB | Direita | Plenário da Câmara: Quebra de decoro |
| 2014 | André Vargas | Deputado federal/PR | PT | Esquerda | Plenário da Câmara: Quebra de decoro |
| 2016 | Delcídio do Amaral | Senador/MS | PT | Esquerda | Plenário do Senado: Obstrução de justiça (74 a 0) |
| 2016 | Eduardo Cunha | Deputado federal/RJ | PMDB | Direita | Plenário da Câmara: Quebra de decoro |
| 2016 | Dilma Rousseff | Presidente/BR | PT | Esquerda | Impeachment: Crime de responsabilidade (sem inabilitação) |
| 2017 | José Melo | Governador/AM | PROS | Direita | TSE: Abuso de poder econômico e compra de votos |
| 2018 | Marcelo Miranda | Governador/TO | MDB | Direita | TSE: Abuso de poder político (segunda cassação) |
| 2019 | Selma Arruda | Senador/MT | PSL | Direita | TSE: Abuso de poder econômico (perda declarada em 2020) |
| 2020 | Manuel Marcos | Deputado federal/AC | REPUBLICANOS | Direita | TSE: Abuso de poder econômico e desvio do fundo eleitoral |
| 2021 | Flordelis | Deputado federal/RJ | PSD | Direita | Plenário da Câmara: Quebra de decoro |
| 2021 | Boca Aberta | Deputado federal/PR | PROS | Direita | TSE: Cassação pelo plenário do TSE |
| 2021 | Wilson Witzel | Governador/RJ | PSC | Direita | Impeachment: Crime de responsabilidade |
| 2022 | Valdevan Noventa | Deputado federal/SE | PL | Direita | TSE: Doações ilícitas na eleição de 2018 |
| 2023 | Deltan Dallagnol | Deputado federal/PR | PODE | Direita | TSE: Registro indeferido (Ficha Limpa), perda declarada pela Mesa |
| 2023 | Marcelo Lima | Deputado federal/SP | SOLIDARIEDADE | Centro-direita | TSE: Infidelidade partidária |
| 2025 | Chiquinho Brazão | Deputado federal/RJ | UNIÃO | Extrema-direita | Mesa da Câmara: Excesso de faltas |
| 2025 | Carla Zambelli | Deputado federal/SP | PL | Direita | STF: Condenação do STF |
| 2025 | Eduardo Bolsonaro | Deputado federal/SP | PL | Direita | Mesa da Câmara: Excesso de faltas |
| 2025 | Alexandre Ramagem | Deputado federal/RJ | PL | Direita | STF: Condenação do STF (tentativa de golpe de Estado) |
Eleitos municipais e prefeitos
Os 40 eleitos municipais com marcador de cassação do TSE (prefeitos, vice-prefeitos e vereadores) estão em data/eleitos_municipais_marcador_tse.csv, e os prefeitos substituídos por eleição suplementar em data/prefeitos_eleicao_suplementar.csv. Os resultados por partido estão em data/resultados_por_partido.csv.
Limitações e ressalvas
- Cobertura do TSE. O marcador de cassação existe só em 8 das 16 eleições desde 1994. Para prefeitos, supri a lacuna com as eleições suplementares, que existem para todos os ciclos de 2004 a 2024. Como validação de ordem de grandeza, o levantamento do O Globo, citado pelo MeioNews, contou ao menos 96 prefeitos eleitos em 2020 que perderam o mandato, e o do G1 (reproduzido por um blog), de fevereiro de 2016, contou 142 prefeitos retirados do cargo desde a eleição de 2012, além de 99 cassados que seguiam no cargo por liminar. O indicador deste relatório dá 111 casos no ciclo de 2012 e 40 mais 71 sem partido no de 2020, a mesma ordem de grandeza. Persistem lacunas: o ciclo de 2000 tem só 8 suplementares nos arquivos e ficou de fora, o de 2024 está em curso, e vice-prefeitos e vereadores seguem só com o marcador do TSE.
- Eleição suplementar não é sinônimo de cassação. Ela também decorre de indeferimento de registro do eleito, morte e renúncia. Por isso o indicador de prefeitos é uma aproximação por cima.
- Partido ausente em parte dos casos. 148 suplementares não têm o titular localizado; se esses casos se distribuírem de modo diferente entre os campos, as taxas por campo mudam.
- Listas não oficiais. Os 49 casos de alto nível vêm de fontes jornalísticas e colaborativas, que não foram checadas contra as decisões originais. Não confirmei casos como o do senador João Capiberibe (2004). O partido de Flamarion Portela (PT) vem de uma única fonte, e o de Collor (PRN) é de conhecimento geral, sem fonte aberta nesta consulta.
- Classificação e tempo. A escala de Bolognesi et al. (2023) vem de um survey de 2018 e avalia partidos, não políticos; PSDB, MDB e outros mudaram de posição desde 1989, e políticos trocam de partido. Para testar isso, repeti a análise com a rodada de 2022 de Bolognesi et al. (2025), que dá resultado semelhante (razão de taxas 1,28; Fisher p = 0,033; CMH p = 0,06). Não há, nesta análise, classificação específica para cada legislatura.
- Conceito misto. Somam-se cassação pelo TSE e por TRE, decisão de plenário por quebra de decoro, perda declarada pela Mesa (faltas, condenação) e impeachment.
- Estatística. Os testes tratam cada mandato como independente e não corrigem comparações múltiplas. Taxas de partidos com poucos casos são instáveis.
Fontes e reprodução
- TSE, Portal de Dados Abertos: arquivos
consulta_cand_AAAA.zip(1994 a 2024) emotivo_cassacao_2024.zip, licença CC BY. - Bolognesi, B.; Ribeiro, E.; Codato, A. Uma nova classificação ideológica dos políticos brasileiros. Dados, v. 66, n. 2, 2023. doi:10.1590/dados.2023.66.2.303.
- Bolognesi, B.; Ribeiro, E.; Codato, A.; Silva, B. F. O desaparecimento do centro ideológico no sistema partidário brasileiro. Opinião Pública, v. 31, e31120, 2025. doi:10.1590/1807-0191202531120.
- Wikipédia: Lista de parlamentares federais cassados no Brasil; CNN Brasil; IstoÉ Dinheiro; Sedep; Congresso em Foco.
Para refazer a análise: python scripts/01_baixar_tse.py cache, python scripts/02_analise.py cache e python scripts/03_gerar_site.py (somente biblioteca padrão do Python 3.10 ou superior). O código e a lista de casos estão no repositório; ver o README.md.